Mercado negro

escrito por eu

A tão em voga acção anti-download levada a cabo pelas GRANDES editoras discográficas tem algumas pontas soltas na argumentação apresentada. E começa logo por aqui, a acção foi movida apenas pelas GRANDES, aquelas que afrmam não conseguir investir em novos artistas porque os downloads ilegais destroem o seu mercado.

Enfim… lembro-me de passar tardes inteiras a copiar LP’s emprestados pelos amigos. E as cassetes que dai resultavam passavam depois de mão em mão. Lembro-me de só comprar um ou dois LP’s por ano (com sorte). Como é que as grandes editoras terão sobrevivido em Portugal durante tanto tempo. Tempos duros.

Quantos aos investimentos, aquilo a que temos assistido é que os novos pojectos e os novos artistas são promovidos por editoras \”independentes\”, muitas quase caseiras, fora dos grandes circuitos, mas que souberam reconhecer a qualidade do projecto e arriscaram. Quase todas ganharam, mesmo em mercados onde à partida não havia público.

Aos outros senhores só os vejo investir nos artistas do costume, nos consagrados, dizem eles, e que são garantia de venda. Pois. O investimento quer-se seguro não é?

Quanto aos artistas, já por muitas vezes se referiu e é sabido que a sua vida se ganha nos concertos e não nos cd’s, onde as editoras comem tudo e não deixam nada. Ora, como é que um novo projecto se promove e leva público ao concerto se as playlist’s das rádios estão manipuladas e cheias e deixam tão pouco espaço à novidade e se as rádios \”alternativas\” têm tão pouca cobertura?

Tudo isto para dizer que a divulgação on-line e a troca de música entre apreciadores veio para ficar e é a grande responsável por podermos conhecer novos artistas e novos projectos, mais tarde ir ao concerto e até comprar o cd se o preço for justo ou se os atractivos adicionais justifiquem os valores actuais.

Também não percebo como é que um CD da Britney Spears produzido da mesma maneira para todo o mundo e em milhares de unidades, e um cd de um artista nacional, com um mercado mais restricto e uma produção mais cara porque em menor quantidade, tem o mesmo preço de venda.

Neste momento procuro nos podcasts o que não consigo noutras formas, mas já ouvi rumores de que também aqui vão haver acções. Tudo em nome do artista, claro, e sempre com as melhores intenções.

Se a moda pega, deixamos de poder emprestar livros.

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