
Tiro o dia de férias e só penso em acordar muito tarde, afundado entre almofadas, na penumbra do quarto.
De repente descubro que afinal as manhãs são mais complicadas em casa do que a trabalhar.
O telefone fixo toca a toda a hora… não o atendo porque não recebo chamadas no fixo e escuso de mentir às pessoas a dizer que estou fora do país, que só volto daqui a nunca, que sou o irmão ou o faxineiro.
A campainha da rua toca… não abro porque não espero visitas e a resposta no intercomunicador costuma ser sempre a mesma… correio ou pub. Nunca na vida ouvi um “Sou eu amor… venho acordar-te com caricias e malandrice das que tu gostas.” Nada disso. Apenas o carteiro ou os mitras que entopem as caixas com folhetos de parvoice.
A minha consorte (ou com azar) não ajudou. Antes das 9h liga-me a dizer que o carro não arranca e que se calhar vai pedir ajuda na oficina. E precisava de me ter informado? Ou esperava que os meus largos conhecimentos de mecânica resolvessem o problema por telefone? Sai do carro e volta a entrar? Não me ocorreria mais nada por muito que tentasse.
A meio da manhã gritaria na rua. Um mitra tenta roubar os parquimetros que para além de não funcionarem já estão completamente desventrados e que ninguem usa. Uma velha grita na janela. Outra aplaude da outra. Depois ficam na conversa. Os cães ladram e o mitra passa.
E com isto tudo é hora de almoço. Isto é que é campo!


























Add your comment below, or trackback from your own site.
Subscribe to these comments.
Be nice. Keep it clean. Stay on topic. No spam.
You can use these tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>