Na exposição dedicada ao cineasta Manoel de Oliveira, em Serralves, descubro este guião censurado e de imediato me ficou a dúvida de quantos censores não terão tido a veleidade de serem autores e co-autores de obras (um pouco à imagem do “Bullets over Broadway” de Woody Allen em que o gangster se transorma no escritor).
O que aqui se vê não é um corte… é muito mais. É uma sugestão ordenada. E como não se conseguia ler a frase original a dúvida adensou-se. Aqui temos a questão política sobvalorizada com a questão estética e de gosto pessoal, do país dos treinadores de bancada.
Imagino o manga de alpaca a ver a peça de teatro ou o filme e a sorrir por dentro, orgulhoso, à passagem do seu diálogo. Talvez uma lágrima lhe tenha surgido no canto do olho qual pai que vê a obra do filho.













